Idoso aguarda há quatro anos por cirurgia pelo HGR, diz denúncia

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Familiares dizem que espera agravou quadro de saúde de paciente, que sofreu um AVC
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Categoria: Roraima

Neita da Silva Santos, esposa do paciente Antônio Alves de Oliveira, de 64 anos, denunciou à reportagem que o marido aguarda há quatro anos por cirurgia pelo Hospital Geral de Roraima (HGR). Ela relatou o caso nesta sexta-feira (08).

De acordo com a mulher, o idoso, que trabalha como motorista de lotação, tem fístula anal. Por isso, ele necessita de uma cirurgia. Contudo, ele está na fila de espera para a realização da operação desde 2018.

“Ele está na fila desde 2018. […] já tinham avaliado ele, tudo direitinho, aí foi aquele processo, antes da pandemia. Não tinha material, era essa a questão. Logo depois veio a pandemia, aí ele só fazia o controle, acompanhamento no Coronel Mota, medicação, pomada. Ele sempre ia às consultas”, contou.

Conforme ela, após a antiga médica que atendia o marido sair do Estado, outro médico começou a atendê-lo. Contudo, o novo profissional informou que o caso de Antônio havia piorado e por isso, não podia mais realizar a cirurgia.

“A doutora saiu do Estado, que tentou operar ele, porque ela disse que não tinha jeito, que tinha que fazer a cirurgia dele. Ela ia fazer tudo o que pudesse para fazer a cirurgia dele. Então a gente fez todos os exames, fez todo o processo. Quando foi para lá de novo, a médica não conseguiu. Ele já começou a ficar deprimido. Depois veio o outro médico, ele disse que não tinha como fazer a cirurgia, porque piorou o caso dele […], relatou.

Sem especialista

Do mesmo modo, Neita relatou que o novo médico que passou a atender Antônio, se negou a entregar um laudo ao homem.

“Ele pediu um atestado. Como fazia um acompanhamento, inflamou muito. Quando fui marcar a consulta para ele, a moça falou que a outra médica não estava mais no Estado, que só tem o outro doutor. E ele pediu o laudo para ele e ele disse que não ia dar, que fosse pedir o laudo da médica que estava acompanhando antes. Aí ele até falou ‘doutor, ela não está mais no Estado’ e ele disse ‘está sim, procure. Quando você operar, eu dou até um ano [de atestado] para você”, afirmou.

Por outro lado, Neita fez o recadastramento do marido na fila de espera da cirurgia. No dia 28 de março, a denunciante escreveu um ofício à ouvidoria da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) solicitando a cirurgia.

No dia seguinte, em resposta ao ofício, a Sesau informou que não disponibilizava da especialidade de coloproctologia para fazer este tipo de procedimento.

O idoso acabou sofrendo um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no mesmo dia. A esposa do paciente acredita que a espera pela cirurgia juntamente com o problema de ansiedade do marido ocasionaram o AVC.

“Eu acredito que tudo isso causou [o AVC]. O problema da ansiedade, a espera. Quando ele ia na Secretaria comigo ele ficava triste. Então eu acredito que contribuiu, não é?”, disse.

Citada

Entramos em contato com a Sesau que por meio de nota disse que o paciente encontra-se devidamente regulado na fila única do SUS e aguarda a realização dos procedimentos.