Mototaxistas pedem justiça após morte de colega de profissão

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Parte da classe interrompeu o expediente para fazer um buzinaço como gesto de apoio à família de Neves e de revolta com a situação. Depois, seguiu em motociata ao Ministério Público do Estado de Roraima para cobrar providências sobre o caso
Fonte: FOLHABV
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Categoria: Roraima

Os mototaxistas interromperam o expediente para fazer um buzinaço como gesto de apoio à família de Neves e de revolta com a situação. Depois, eles seguiram em motociata para o Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) para cobrar providências sobre o caso.

Mototaxistas tomam a avenida Nossa Senhora da Consolata a caminho do Ministério Público de Roraima (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

Familiares também foram ao órgão, a exemplo da esposa, que chegou chorando, carregando no ombro a única filha do casal. A avó de Everton, Mirian Batista das Neves, lamentou que o neto deixou três filhos – sendo dois de um relacionamento anterior – e endossou o pedido por justiça. “É uma dor muito doída que a gente está passando com essa morte. Ele era muito querido pela nossa família. Uma pessoa trabalhadora, que só trabalhava pra família”, lembrou.

Esposa de Everton levou a filha do casal ao MPRR nesta terça-feira (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

A assessoria do MPRR informou à Folha que uma comissão formada por três pessoas da classe deve ser recebida pelo ainda nesta terça-feira. De antemão, informou também que, geralmente, o órgão ministerial aguarda a conclusão do inquérito policial para seguir com a investigação.

Colegas de profissão foram para a sede do MPRR (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

Colegas de profissão se revoltaram, porque o motorista envolvido no acidente, que confessou ter ingerido bebida alcoólica em comemoração à vitória do Brasil em estreia na Copa do Mundo, teria pago fiança e sido liberado em seguida. Na ocasião, ele foi levado para o 5º DP (Distrito Policial) sem ser algemado, porque colaborou com a Polícia Militar. A classe reclama que, enquanto isso, a mulher e a filha de Everton estão sem a única renda da família.

“O cara que matou ele no acidente tá tranquilo, pagou a fiança e tá livre. E hoje sua esposa e filha recém-nascida estão desamparadas e o nosso parceiro de farda, que levava o pão de cada dia pra família, não está mais aqui conosco”, disse o mototaxista Regivaldo Bezerra Rocha, conhecido como Papagaio.

O mototaxista Antonio Carlos Oliveira, por sua vez, disse que o motorista da caminhonete envolvido na morte “não pode ficar impune”. “O que causa indignação é a maneira que foi tratada a situação, com descaso, porque a pessoa cometeu o crime de homicídio, que não tem fiança, e foi solta. Praticamente, foi detido e não algemado. Isso revolta a nossa classe”, criticou. “Quem vai sustentar essa família, quem vai sustentar essa casa?”.

“Se fosse um de nós da classe cometido esse delito – crime, porque pra mim é um crime -, a gente já estava atrás das grades sem direito de nada”, disse o mototaxista Alan Lima.