Paciente com parada cardiorrespiratória morre sem atendimento médico em hospital de Mucajaí

Foto: Foto: Divulgação/Secom RR
Conforme documento obtido pelo Roraima em Tempo, não havia nenhum médico na unidade
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Categoria: Extremo Norte TV

Um paciente de 64 anos, morreu após dar entrada no hospital de Mucajaí Vereador José Guedes Catão na manhã dessa terça-feira (1º). De acordo com a denúncia, o homem apresentava sintomas de parada cardiorrespiratória, mas não havia nenhum médico na unidade para atendê-lo.

De acordo com o vereador Joelson Costa (PL), ele afirmou que já alertou o governo sobre a situação.

“Eu e os demais vereadores de Mucajaí estamos alertando o Governo do Estado sobre a situação caótica do hospital do estado no nosso município. As irregularidades são constantes e crescentes a cada dia. Estamos no ponto em que munícipes estão sofrendo a perca de familiares por falta de um socorro médico. Só existem médicos em determinados dias da semana no papel, mas físico não existe”, relatou.

Conforme documento obtido pelo Roraima em Tempo, durante todo o plantão no dia do ocorrido, não havia médico na unidade.

O vereador disse ainda que, devido a falta do profissional, o paciente recebeu atendimento dos servidores do hospital, mas com orientações do Samu, por meio de telefone.

Joelson disse ainda que o Ministério Público de Roraima (MP) esteve no local e constatou o problema.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) disse que o “paciente recebeu o primeiro atendimento no Hospital de Mucajaí que conta com quatro médicos”.

Descaso em Mucajaí

Conforme informações de um familiar, um médico de Boa Vista foi acionado para assinar o atestado de óbito. Contudo, devido à demora, o corpo saiu da unidade sem o documento.

“Ele teve um infarto e, ao chegar no hospital de Mucajaí, não tinha médico pra fazer o atendimento. Depois que ele veio a óbito, não tinha médico pra assinar o documento”, disse.

Denúncias recorrentes

No ano passado, vereadores de Mucajaí denunciaram a falta de médicos na unidade por diversas vezes. Eles chegaram a protocolar duas representações contra o governo do estado no Ministério Público de Roraima (MPRR).

Na última denúncia, os parlamentares afirmaram que, por falta de médicos, servidores estavam dispensando pacientes.

No último dia 12 de janeiro, o MP ajuizou uma Ação Civil Pública. No documento, o órgão pede que o governo forneça médicos suficientes para suprir a demanda do hospital.

O MP informou que a ação pede no mínimo dois médicos por plantão sob pena de multa diária.

Precariedade no hospital de Mucajaí

Ainda de acordo com o vereador Joelson, os funcionários do hospital trabalham de forma precária.

“Só para você ter uma ideia, vai fazer um ano que o governador iniciou uma obra de reforma do hospital, após muita pressão da Câmara dos Vereadores e da população. Então derrubou metade do hospital e deixou a equipe de enfermeiros trabalhando lá de forma insalubre”, relatou.

Em agosto de 2021, o Conselho Regional de Medicina (CRM) já havia constatado as condições de trabalho na unidade. A vistoria ocorreu no dia 18 daquele mês.

Entre os problemas encontrados pela equipe estava a falta de água e infiltração na sala de descanso.

A coordenadora do Departamento de Fiscalização do CRM, Rosa Leal, disse que a situação era ‘degradante’.

Citado

Confira a nota da Sesau na íntegra:

A Secretaria de Saúde informa que o paciente José Carlos da Silva recebeu o primeiro atendimento no Hospital de Mucajaí que conta com quatro médicos lotados na Unidade.

A Sesau esclarece que a escala médica de janeiro estava fechada para o atendimento à população. Ocorre que dois médicos se afastaram por motivo de saúde e de férias, e dois continuaram atuando na Unidade.

A Secretaria ressalta que a escala médica da terça-feira, dia 1º, estava fechada, mas houve a necessidade de reforço no quadro de profissionais, devido ao aumento no número de demandas, e foi encaminhado médico extra.

A Sesau reitera que está com processo seletivo em aberto para contratação de novos profissionais de saúde, incluindo 87 médicos. A medida visa ampliar a força de trabalho nas unidades da rede estadual de saúde.